The Eyes

No terceiro dia que o The Masque funcionou em Los Angeles, 28 de agosto de 1977, três bandas tocaram: The Bags, Needles and Pins e The Eyes.

Eyes tocou várias vezes no Masque, inclusive na inauguração do The Other Masque que abriu na Santa Monica Boulevard depois que o original fechou por falta de documentos, em 22 de dezembro de 1978. A última vez que tocaram lá foi logo depois, em 6 de janeiro de 1979, com Simpletones, The Rotters, The Plugz e The Dils.

Originalmente, The Eyes era Joe Ramirez na guitarra e vocal, Charlotte Caffey no baixo e vocal, e DJ Bonebrake na bateria, que tinha vindo da banda Rocktopus e logo em seguida sairia para fundar o X com John Doe, Billy Zoom e Exene Cervenka, além de tocar em várias outras preciosidades, como Knitters e Auntie Christ. A debandada dessa formação do Eyes teve também a saída de Charlotte Caffey para formar The Go-Go’s. Charlotte é casada com Jeff McDonald, do Redd Kross.

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Com a primeira formação, gravaram duas músicas para a What? Records, que depois saíram na coletânea What? Stuff: Don’t talk to me e Kill your parents (acima).

Depois, Joe Ramirez continuou com outra formação que gravou o 7″ TAQN (Take a Quaalude Now b/w Topological Lies). Esse disco teve Jimmy Leach no baixo, Joe Nanini na bateria e David Brown no órgão.

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Com a mesma capa saiu, em 2009, um 10″ com essas duas músicas, Disneyland (que tinha saído na coletânea Yes L.A.), Eniwetok (que saíra na coletânea Dangerhouse Volume 2: Give Me A Little Pain!) e duas sobras de estúdio, Research Bee e Go Go Bee.

Joe Ramirez também tocou no Black Randy and The Metro Squad e em algumas das múltiplas formações do Flesh Eaters.

A primeira formação tocou junta mais de trinta anos depois:

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Dois dias de X e gente boa na California

Ontem e anteontem teve X na California. Morar lá deve ter suas vantagens…

No show de ontem, a abertura foi do Jonny 2 Bags. Não sei quem é a banda que o acompanha, mas o baterista é o David Hidalgo Jr.

Depois, tocaram a dupla Sean Wheeler (Throw Rag) e Zander Schloss, o lendário baixista do Circle Jerks, que também tocou com o Joe Strummer e com o Weirdos nos shows de volta da banda.

E fechando a noite, X.

O lugar, The Observatory, fica em Santa Ana, cidade ao sul de Anaheim e Fullerton, e ao norte de Huntington Beach, em Orange County, CA.

Um dia realizo um sonho, que já dura meia-vida, e vejo um show desses por ali.

PS.: pelas tattoos acima, do Jonny e do Sean, um dia vamos contar quantos californianos desses têm um Jesus tatuado? Ou vai ser mais fácil contar quantos não têm? Mike Ness e seu filho Julian têm no mesmo lugar do Sean, quase igual. E, sempre, em tinta preta, estilo chicano tradicional.

 

CJ Ramone lança disco gravado em Orange County com Steve Soto, Billy Zoom, Jonny 2Bags, Jose Mendeles e Jay Bentley

CJ Ramone lançou o disco Reconquista.

Saiu no final de junho, pela internet. Não saiu em CD ou em LP, ao menos não ainda. São doze músicas excelentes, realmente ótimas. Um disco colossal do início ao fim. Eu que sou fã do CJ não esperava tanto.

O disco foi gravado em Orange County, CA, no estúdio de Jim Monroe. Basicamente, começou com Steve Soto e o baterista Jose Mendeles, que toca no Breeders, mas já foi colega do Steve Soto no 22 Jacks, banda que inclusive acompanhou shows do Joey Ramone. No estúdio apareceram também o Billy Zoom (X), o Jay Bentley (Bad Religion) e o Jonny 2Bags (Social Distortion).

Gravado em três semanas, em maio, e já lançado logo em seguida, Reconquista é um disco fabuloso. CJ descreveu o disco como um encontro entre Rocket to Russia e End of the Century. A primeira música já fala em San Francisco no primeiro verso. Now I Know… tem as mesmas notas de Life’s A Gas e de When the Angels Sing, e de uma música do Perverts. O cover da música do Lou Reed ficou melhor que o original, assim como o Ramones fazia normalmente.

Não vejo a hora de sair em CD e LP para ter um e manusear.

Sons californianos na manhã curitibana

Agora de manhã, sábado de chuva em Curitiba, fui até a Raridade Disco comprar agulha nova pro toca-discos. Coloquei no som do carro o Forever Hasn’t Happened Yet, o excelente disco de 2005 do John Doe, apropriado para a ocasião. Um disco intimista, um pouco amargurado em alguns momentos, resignado em outros. Disco de gente grande, pra ouvir na chuva.

Agulha comprada, estava voltando pra casa e passei pertinho do Sebo Fígaro. Resolvi entrar pra dar uma olhada. Fui fuçar primeiro a sessão de vinil, e, numa dose de sorte, encontro o Live at the Whisky a Go Go on the Fabulous Sunset Strip, edição nacional. Capa em estado razoável, mas o LP em excelente estado, melhor que o meu. Preço da parada: R$ 10,00. Já reservei. Ouvir John Doe de manhã deu sorte, pensei.  Aí fui ver se tinha alguma coisa na seção de CDs. Aí sim o mais improvável aconteceu.

Lá estava um exemplar da edição norte-americana, de 1997, do Show World, o fabuloso último disco de estúdio do Redd Kross. Depois desse disco, o guitarrista Eddie Kurdzlel, que tinha entrado pra banda em 1993, morreu, e o grupo parou. Em 2006 o Redd Kross voltou a tocar, com Robert Hecker na guitarra, o mesmo que esteve na banda entre 1984 e 1991 e que é campeão dos 110 metros com barreiras (!).

Mais R$ 20,00, e o disco veio pra minha coleção. Impecável, exceto que o antigo dono, num rompante de delírio, resolveu destacar, à caneta, no encarte, algumas músicas – talvez as que mais gostou, ou que fosse gravar em uma coletânea, ou sabe-se lá o que passou pela cabeça do cidadão. Estão circuladas Pretty Please Me, You Lied Again, Girl God, Mess Around e Secret Life. Paciência, valeu a compra sem dúvida.

Já felizão com as aquisições, bati o olho no Car Bottom Cloth, do Lemonheads. A banda é de Boston, mas tem ligação com a California: Bill Stevenson e Karl Alvarez, do All e do Descendents, formaram com Evan Dando a banda nos shows de 2005, e lançaram o ótimo disco Lemonheads em 2006. R$ 13,00 pelo CD, também impecável. Um descontinho para quem já tinha comprado dois discos, e veio por déizão.

Agulha instalada, coloquei o New Day Rising, do Hüsker Dü, pra testar. Excelente, ouvindo bem todos os chiados. Uma bela manhã de sábado.

O que OFF! e X têm em comum ?

Já mencionei que fico fascinado pelas interconexões entre bandas e artistas da cena californiana. O que seria uma conexão entre OFF! e X ?

Muita coisa, sem dúvida. Uma delas é que, no disco solo do John Doe, de 2006, For the Best of us, o baixista é o Steven McDonald, que era do Redd Kross e agora é do OFF!

O disco chegou pra mim essa semana e reparei isso, novidade pra mim.

É um relançamento, remasterizado, do EP For the rest of us, de 1998, com outras músicas das mesmas sessões de gravação, que acabaram ficando inéditas até então. Foi lançado como The John Doe Thing.

Também participam do disco outras figuraças: o guitarrista Smokey Hormel, que tocou com Johnny Cash, Tom Waits e Beck; o baterista Joey Waronker, também do Beck e do REM; e o Tony Marsico do Matthew Sweet, que toca baixo no disco, em algumas músicas, ao lado do Steven McDonald. O produtor é o Dave Way, o mesmo do excelente Forever Hasn’t Happened Yet, de 2005.

De John Doe a John Doe

Encontrei para vender o disco A Year in the Wilderness, trabalho solo do grande John Doe, conhecido vocalista e baixista do X, uma das bandas pioneiras do punk em Los Angeles.

Doe também é ator. Um dos seus filmes mais famosos é A Fera do Rock, título original Great Balls of Fire, sobre o Jerry Lee Lewis, com o Dennis Quaid no papel principal. Doe faz o papel do pai da Winona Ryder, prima de 13 anos do Jerry Lee, com quem ele casa. O tio tocava na banda do Jerry.

Durante boa parte da carreira do X, o guitarrista foi o Billy Zoom, o cara mais cool da face da Terra. Verdadeiro Guitar-Hero, Zoom foi, por muito tempo, técnico de guitarra do Brian Setzer. Ambos têm em comum a paixão pelas guitarras Gretsch das décadas de 1950 e 60.

Zoom tocou também com Gene Vincent e Etta James, o que demonstra todo seu talento para muito além do punk rock. A guitarra do X, realmente, era um caso à parte.

Nesse video aqui, Billy Zoom está tocando com a banda do Mike Ness, com Charlie Quintana (The Plugz, Agent Orange, Social Distortion, Izzy Stradlin and the Ju Ju Hounds) na bateria, Sean Greaves (Joykiller) na telecaster, Brent Harding (Social Distortion, The Steeplejacks) no baixo.

Aí o ciclo se fecha, porque, além de Brian Setzer e Mike Ness terem trabalhado junto com o chicanasso Quintana, ele também tocou com o John Doe, em sua carreira solo.