CJ Ramone lança disco gravado em Orange County com Steve Soto, Billy Zoom, Jonny 2Bags, Jose Mendeles e Jay Bentley

CJ Ramone lançou o disco Reconquista.

Saiu no final de junho, pela internet. Não saiu em CD ou em LP, ao menos não ainda. São doze músicas excelentes, realmente ótimas. Um disco colossal do início ao fim. Eu que sou fã do CJ não esperava tanto.

O disco foi gravado em Orange County, CA, no estúdio de Jim Monroe. Basicamente, começou com Steve Soto e o baterista Jose Mendeles, que toca no Breeders, mas já foi colega do Steve Soto no 22 Jacks, banda que inclusive acompanhou shows do Joey Ramone. No estúdio apareceram também o Billy Zoom (X), o Jay Bentley (Bad Religion) e o Jonny 2Bags (Social Distortion).

Gravado em três semanas, em maio, e já lançado logo em seguida, Reconquista é um disco fabuloso. CJ descreveu o disco como um encontro entre Rocket to Russia e End of the Century. A primeira música já fala em San Francisco no primeiro verso. Now I Know… tem as mesmas notas de Life’s A Gas e de When the Angels Sing, e de uma música do Perverts. O cover da música do Lou Reed ficou melhor que o original, assim como o Ramones fazia normalmente.

Não vejo a hora de sair em CD e LP para ter um e manusear.

Bateristas do Social Distortion I – Casey Royer

O site do Adolescents diz que a primeira banda de Rikk Agnew foi o Social Distortion. Consta, lá, que a primeira formação do Social D. era o Rikk, o irmão Frank, e o Casey Royer na bateria… e não aparece o Mike Ness!

Seja como for, o primeiro baterista do Social D. foi mesmo o Casey Royer, quando a banda começou, em 1978-79, época dos kids of the black hole. Iniciou-se, com ele, uma linhagem que viria a ser uma sequência de cidadãos antológicos, de finíssimo trato, a bater os tambores da banda do Mike Ness.

Achei uma entrevista na qual Casey fala em ter fundado o Social Distortion, com Mike Ness, entre 1976 e 1977, no seu quarto de adolescente, na casa da sua mãe. Quando o Social D. lançou seu primeiro compacto, Mainliner/Playpen, pela gravadora Posh Boy, em 1981, Royer já estava no Adolescents, junto com Rikk Agnew.

Nessa parte da entrevista, Royer conta como eram aqueles primeiros dias:

What brought you to disband Social Distortion? Was it really because of original guitarist Dennis Danell’s inability to play?

Mike and I were jamming for a couple years with bass player, Mark Garrett (RIP), with Rikk Agnew on guitar, and Tom Corvin singing. With a couple personnel changes, Mike wanted Dennis to play guitar. Dennis didn’t know how to play guitar, Rikk and I played well and were ready to play gigs, so we joined the Adolescents when Tony Adolescent asked.

So did you leave Social Distortion to pursue the Adolescents?

You have to understand, no one really was famous or trying to achieve rock and roll fame, so the decisions we made were pretty off the wall. A total disconnected new world that we ruled. Mike and I split up and I became the singer of S.D. for about a year with some early D.I. guys in 78. Even though Mike and I were the first S.D. I did make up the name so I went with it. I broke up S.D. and formed the Adolescents with Rikk Agnew. A new S.D. with Dennis Dannel (RIP), Brent Lyles RIP, (replaced by John Mauer) came about in 79; Social Distortion II… A whole new chapter.

Pra quem não lê inglês, basicamente o Royer conta que ele inventou o nome “Social Distortion”, e cantou na banda por um ano quando Mike Ness saiu, em 1978, com uns caras que depois tocaram no D.I. – devem ser os irmãos Agnew. Diz que acabou com o Social Distortion para formar o Adolescents com o Rikk Agnew – embora na resposta anterior diga que saiu do Social Distortion porque o Mike Ness queria trazer o Dennis Dannel, e atendeu ao chamado do Tony Adolescent para ir pra outra banda… Sei lá, né ?  Se quiser ler a entrevista toda e tirar suas conclusões, ela está aqui. É muito boa, Royer fala dos velhos tempos, dos novos tempos, do D.I., do punk velho e do punk atual.

Com o Adolescents, Royer gravou o primeiro disco e o EP Welcome to Reality, ambos lançados em 1981. Tocou também por um breve período no Agent Orange, e fez toda sua carreira no D.I., que está por aí até hoje, mas nesse caso como vocalista. Também participou do ADZ, com Tony Reflex e Rikk Agnew. Na capa do disco, aparece de bandana!

Vale checar uma boa performance do Casey Royer na bateria, raro nos dias atuais, nesse show do Adolescents, com uma formação absolutamente clássica, a mesma do primeiro e famoso disco azul: Tony Montana, Steve Soto, Rikk Agnew (de bandana !), Frank Agnew e Casey Royer.

Na próxima, Derek O’Brien. Pra fechar esta, uma foto do Casey Royer, atual, no D.I.:

De John Doe a John Doe

Encontrei para vender o disco A Year in the Wilderness, trabalho solo do grande John Doe, conhecido vocalista e baixista do X, uma das bandas pioneiras do punk em Los Angeles.

Doe também é ator. Um dos seus filmes mais famosos é A Fera do Rock, título original Great Balls of Fire, sobre o Jerry Lee Lewis, com o Dennis Quaid no papel principal. Doe faz o papel do pai da Winona Ryder, prima de 13 anos do Jerry Lee, com quem ele casa. O tio tocava na banda do Jerry.

Durante boa parte da carreira do X, o guitarrista foi o Billy Zoom, o cara mais cool da face da Terra. Verdadeiro Guitar-Hero, Zoom foi, por muito tempo, técnico de guitarra do Brian Setzer. Ambos têm em comum a paixão pelas guitarras Gretsch das décadas de 1950 e 60.

Zoom tocou também com Gene Vincent e Etta James, o que demonstra todo seu talento para muito além do punk rock. A guitarra do X, realmente, era um caso à parte.

Nesse video aqui, Billy Zoom está tocando com a banda do Mike Ness, com Charlie Quintana (The Plugz, Agent Orange, Social Distortion, Izzy Stradlin and the Ju Ju Hounds) na bateria, Sean Greaves (Joykiller) na telecaster, Brent Harding (Social Distortion, The Steeplejacks) no baixo.

Aí o ciclo se fecha, porque, além de Brian Setzer e Mike Ness terem trabalhado junto com o chicanasso Quintana, ele também tocou com o John Doe, em sua carreira solo.

CD do OFF! saindo

Um dos aspectos mais fascinantes do punk californiano são os inter-relacionamentos entre as bandas. Aqui no California Sons, já falamos, por exemplo, do Dez Cadena, que tocou no Black Flag e no Redd Kross. Mas essas duas bandas têm muito mais em comum.

Redd Kross foi fundado pelos irmãos Steven e Jeff McDonald, Ron Rayes e Greg Hetson. O Ron Rayes depois cantou no Black Flag, e Greg Hetson faz parte do Circle Jerks e do Bad Religion, e já teve o projeto Punk Rock Karaoke, com o Steve Soto (Adolescents, Agent Orange, Legal Weapon, Joyride, 22 Jacks etc.) e o Eric Melvin (NOFX).

O primeiro disco do Redd Kross – na época Red Cross –, Born Innocent, foi lançado em 1981. O nome da banda, inspirado na cena da masturbação do filme O Exorcista, mudou por problemas com a Cruz Vermelha.

O baixista Steven McDonald juntou-se ao mítico Keith Morris (Black Flag, Circle Jerks), a Dimitri Coats (Burning Brides) e a Mario Rubalcaba (Rocket From The Crypt, Hot Snakes, Earthless) para formar o OFF!

Diz a lenda que Coats estava trabalhando na produção do novo disco do Circle Jerks, sobre o qual Keith Morris falou à imprensa brasileira, quando estiveram aqui para show em São Paulo, em março de 2009. Confira a abertura do show aqui. Alguma coisa nesse disco deu errado, e acabou nunca saindo. Mas a convivência dos dois gerou excelentes músicas, e a banda OFF!

Até agora, OFF! lançou quatro EPs. O som é muito parecido com o Black Flag da época do Keith Morris. Lembra muito o Nervous Breakdown, primeiro EP da banda. Os vocais gritados do Keith Morris continuam passando aquela atmosfera de desespero e agonia que o fizeram famoso. Um dos caras mais cool do pedaço. Uma guitarra só, quando tem solo não tem base, quando tem base não tem solo. As músicas mais longas têm um minuto e meio, e muitas não chegam a um minuto.

Está para sair um cd com todos os EPs, chamado The First Four EPs. O lançamento está previsto para 15 de fevereiro, daqui a dez dias. Os EPs também foram vendidos em uma caixa com os quatro disquinhos de vinil em 7”. Quem assina a arte gráfica é o Raymond Pettibon. Esse cara, irmão do Greg Ginn, é famoso pela arte do Black Flag, tanto nos discos, quanto nos flyers de shows.

Esses EPs estão entre os melhores lançamentos do punk californiano em 2010. O som é bem isso: punk. E pronto.