Novo EP do Adolescents

Outra dica importante do Dudu:

O Adolescents foi para a Europa fazer uma turnê agora em julho e levou um novo EP, chamado American Dogs in Europe.

O disquinho tem quatro músicas, e está à venda pela internet, em CD e em vinil de 12″. A capa lembra a do disco anterior, o excelente The Fastest Kid Alive:

 

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CJ Ramone lança disco gravado em Orange County com Steve Soto, Billy Zoom, Jonny 2Bags, Jose Mendeles e Jay Bentley

CJ Ramone lançou o disco Reconquista.

Saiu no final de junho, pela internet. Não saiu em CD ou em LP, ao menos não ainda. São doze músicas excelentes, realmente ótimas. Um disco colossal do início ao fim. Eu que sou fã do CJ não esperava tanto.

O disco foi gravado em Orange County, CA, no estúdio de Jim Monroe. Basicamente, começou com Steve Soto e o baterista Jose Mendeles, que toca no Breeders, mas já foi colega do Steve Soto no 22 Jacks, banda que inclusive acompanhou shows do Joey Ramone. No estúdio apareceram também o Billy Zoom (X), o Jay Bentley (Bad Religion) e o Jonny 2Bags (Social Distortion).

Gravado em três semanas, em maio, e já lançado logo em seguida, Reconquista é um disco fabuloso. CJ descreveu o disco como um encontro entre Rocket to Russia e End of the Century. A primeira música já fala em San Francisco no primeiro verso. Now I Know… tem as mesmas notas de Life’s A Gas e de When the Angels Sing, e de uma música do Perverts. O cover da música do Lou Reed ficou melhor que o original, assim como o Ramones fazia normalmente.

Não vejo a hora de sair em CD e LP para ter um e manusear.

Adolescents em Santos – 2010

Saí de São Paulo no sábado, dia 27/11/2010, às 18h30, desci pela Imigrantes e cheguei em Santos umas 19h30. Fui pra ver Adolescents, que ia fechar o festival SantosRock! (http://www.santosrockfestival.com/). Perdi o show de SP e o de Curitiba, mas não dava pra perder a última chance de ver uma das minhas bandas top3 da cena clássica de Orange County.

Procurei antes de tudo o lugar do show, e achei. Um lugar podre, estilo 92 só que maior, no centro histórico de Santos. Esse centro histórico, por sua vez, é um lugar podre, estilo Cruz Machado em Curitiba, só que pior. Aí resolvi procurar um hotel. Segui rumo à praia, que fica a uns 7 km do centro histórico. Lugar podre, estilo Balneário Camboriu só que pior. Resolvi que não ficaria em hotel nenhum. Depois do show, seguiria de volta pra São Paulo, porque a estrada é boa e é perto (menos de 70km). Troquei a cerveja por energético.

Quando cheguei, a primeira banda estava acabando. Não vi direito, só um cover do Bad Religion, música Generator. Deu pra sentir o drama, e fiquei satisfeito de ter chegado no fim. A segunda banda foi Safari Hamburgers, banda já quase velha de Santos, do começo da década de 90. O baterista é o Boca, o mesmo do Ratos de Porão. Ele tinha uma banquinha de venda de discos e camisetas. Comprei dele um vinil do Rövsvett antes de começar o show. Valeu pela banda e por ver ele tocar, muito bom, muito rápido e muito tosco. A terceira banda se chamava Big Nitrons, um psychobilly paulistano muito divertido. Valeu a pena. Depois veio uma banda de metal do Chile, cheio de técnicas e vocais naquele estilo. Não é a minha praia. A penúltima banda foi a já clássica Sociedade Armada, dali perto, de Praia Grande. Hardcore muito bom mesmo. Tipo da banda que eu queria ser o baterista, pra tocar todas as músicas iguais. Gostei muito.

Quando acabou essa SA, o Adolescents ainda não tinha chegado. Fui pro lado de fora pra pegar um ar, e chega a van. O primeiro que sai é o Steve Soto com sua obesidade mórbida, e um curativo gigante no dedão da mão direita. Pensei: “pronto, fodeu”. Fui bater um papo com ele. O que rolou é que a janela estilo gilhotina do hotel em Curitiba guilhotinou a última falange do dedão do cara. Levou pontos, tomou remédio pra dor e foi pro palco. Dava pra ver que estava no sacrifício, tocou de um jeito meio estranho e economizou nos backing vocals, sua marca registrada.

Abriram com Who is Who, emendaram No Way e daí por diante só alegria. Clássicos dos discos Adolescents, Welcome to Reality, Brats in Batallion e O.C. Confidential. Pelo que li por aí, set list parecido com SP e Curitiba (veja foto lá acima). Ao todo 18 músicas, fechando com Kids of the Black Hole (Mike Ness diz que “Black Hole” era o quarto dele na adolescência, e foi ali que ele, Steve Soto e Rikk Agnew compuseram essa música, que originariamente era pra ser do Social Distortion). Como de costume, não tocaram nenhuma música do Balboa Fun-Zone. Steve Soto explicou que aquele disco foi resultado de uma briga com Tony Reflex, já resolvida, e que eles não gostam de retomar aquele clima. Contou outras histórias interessantes sobre Rikk Agnew, qualquer dia conto numa cervejada. Destaque para os dois guitarristas, excelentes, e o baterista, que foi muito bem também. E Tony Cadena praticamente cantou de dentro do público, dividindo os microfones com quem estava mais perto do palco de meio metro, um pouco maior que o do Ambiental.

Bateristas do Social Distortion I – Casey Royer

O site do Adolescents diz que a primeira banda de Rikk Agnew foi o Social Distortion. Consta, lá, que a primeira formação do Social D. era o Rikk, o irmão Frank, e o Casey Royer na bateria… e não aparece o Mike Ness!

Seja como for, o primeiro baterista do Social D. foi mesmo o Casey Royer, quando a banda começou, em 1978-79, época dos kids of the black hole. Iniciou-se, com ele, uma linhagem que viria a ser uma sequência de cidadãos antológicos, de finíssimo trato, a bater os tambores da banda do Mike Ness.

Achei uma entrevista na qual Casey fala em ter fundado o Social Distortion, com Mike Ness, entre 1976 e 1977, no seu quarto de adolescente, na casa da sua mãe. Quando o Social D. lançou seu primeiro compacto, Mainliner/Playpen, pela gravadora Posh Boy, em 1981, Royer já estava no Adolescents, junto com Rikk Agnew.

Nessa parte da entrevista, Royer conta como eram aqueles primeiros dias:

What brought you to disband Social Distortion? Was it really because of original guitarist Dennis Danell’s inability to play?

Mike and I were jamming for a couple years with bass player, Mark Garrett (RIP), with Rikk Agnew on guitar, and Tom Corvin singing. With a couple personnel changes, Mike wanted Dennis to play guitar. Dennis didn’t know how to play guitar, Rikk and I played well and were ready to play gigs, so we joined the Adolescents when Tony Adolescent asked.

So did you leave Social Distortion to pursue the Adolescents?

You have to understand, no one really was famous or trying to achieve rock and roll fame, so the decisions we made were pretty off the wall. A total disconnected new world that we ruled. Mike and I split up and I became the singer of S.D. for about a year with some early D.I. guys in 78. Even though Mike and I were the first S.D. I did make up the name so I went with it. I broke up S.D. and formed the Adolescents with Rikk Agnew. A new S.D. with Dennis Dannel (RIP), Brent Lyles RIP, (replaced by John Mauer) came about in 79; Social Distortion II… A whole new chapter.

Pra quem não lê inglês, basicamente o Royer conta que ele inventou o nome “Social Distortion”, e cantou na banda por um ano quando Mike Ness saiu, em 1978, com uns caras que depois tocaram no D.I. – devem ser os irmãos Agnew. Diz que acabou com o Social Distortion para formar o Adolescents com o Rikk Agnew – embora na resposta anterior diga que saiu do Social Distortion porque o Mike Ness queria trazer o Dennis Dannel, e atendeu ao chamado do Tony Adolescent para ir pra outra banda… Sei lá, né ?  Se quiser ler a entrevista toda e tirar suas conclusões, ela está aqui. É muito boa, Royer fala dos velhos tempos, dos novos tempos, do D.I., do punk velho e do punk atual.

Com o Adolescents, Royer gravou o primeiro disco e o EP Welcome to Reality, ambos lançados em 1981. Tocou também por um breve período no Agent Orange, e fez toda sua carreira no D.I., que está por aí até hoje, mas nesse caso como vocalista. Também participou do ADZ, com Tony Reflex e Rikk Agnew. Na capa do disco, aparece de bandana!

Vale checar uma boa performance do Casey Royer na bateria, raro nos dias atuais, nesse show do Adolescents, com uma formação absolutamente clássica, a mesma do primeiro e famoso disco azul: Tony Montana, Steve Soto, Rikk Agnew (de bandana !), Frank Agnew e Casey Royer.

Na próxima, Derek O’Brien. Pra fechar esta, uma foto do Casey Royer, atual, no D.I.:

CD do OFF! saindo

Um dos aspectos mais fascinantes do punk californiano são os inter-relacionamentos entre as bandas. Aqui no California Sons, já falamos, por exemplo, do Dez Cadena, que tocou no Black Flag e no Redd Kross. Mas essas duas bandas têm muito mais em comum.

Redd Kross foi fundado pelos irmãos Steven e Jeff McDonald, Ron Rayes e Greg Hetson. O Ron Rayes depois cantou no Black Flag, e Greg Hetson faz parte do Circle Jerks e do Bad Religion, e já teve o projeto Punk Rock Karaoke, com o Steve Soto (Adolescents, Agent Orange, Legal Weapon, Joyride, 22 Jacks etc.) e o Eric Melvin (NOFX).

O primeiro disco do Redd Kross – na época Red Cross –, Born Innocent, foi lançado em 1981. O nome da banda, inspirado na cena da masturbação do filme O Exorcista, mudou por problemas com a Cruz Vermelha.

O baixista Steven McDonald juntou-se ao mítico Keith Morris (Black Flag, Circle Jerks), a Dimitri Coats (Burning Brides) e a Mario Rubalcaba (Rocket From The Crypt, Hot Snakes, Earthless) para formar o OFF!

Diz a lenda que Coats estava trabalhando na produção do novo disco do Circle Jerks, sobre o qual Keith Morris falou à imprensa brasileira, quando estiveram aqui para show em São Paulo, em março de 2009. Confira a abertura do show aqui. Alguma coisa nesse disco deu errado, e acabou nunca saindo. Mas a convivência dos dois gerou excelentes músicas, e a banda OFF!

Até agora, OFF! lançou quatro EPs. O som é muito parecido com o Black Flag da época do Keith Morris. Lembra muito o Nervous Breakdown, primeiro EP da banda. Os vocais gritados do Keith Morris continuam passando aquela atmosfera de desespero e agonia que o fizeram famoso. Um dos caras mais cool do pedaço. Uma guitarra só, quando tem solo não tem base, quando tem base não tem solo. As músicas mais longas têm um minuto e meio, e muitas não chegam a um minuto.

Está para sair um cd com todos os EPs, chamado The First Four EPs. O lançamento está previsto para 15 de fevereiro, daqui a dez dias. Os EPs também foram vendidos em uma caixa com os quatro disquinhos de vinil em 7”. Quem assina a arte gráfica é o Raymond Pettibon. Esse cara, irmão do Greg Ginn, é famoso pela arte do Black Flag, tanto nos discos, quanto nos flyers de shows.

Esses EPs estão entre os melhores lançamentos do punk californiano em 2010. O som é bem isso: punk. E pronto.

California Son

Aqui vou registrar e referir algumas coisas sobre o punk rock californiano das décadas de 70 e 80, e o que aquele povo vem fazendo hoje em dia. O nome do blog, California Sons, é um trocadilho infame inspirado na música “California Son”, do disco O. C. Confidential, do Adolescents: sons da California, feitos por filhos da California.

This is all about Californian punk rock from the late 70’s and early 80’s, and what those people are doing nowadays. “California Sons”, in portuguese, means something like “California Sounds”, and is a song from Adolescents’ album O. C. Confidential.

Nunca tive um blog, e não tenho a mínima disponibilidade de tempo para mantê-lo atualizado. É uma brincadeira pessoal, inspirada pelo excelente blog Suicidal Maniac, do André Pugliesi: stillcyco.wordpress.com