Californian logos I – Circle Jerks

Vou escrever algumas coisas sobre os logos que eu acho mais bacanas de bandas californianas. O primeiro é o Skanker, ou Skank Man, do Circle Jerks.

Some great californian bands’ logos. First the Circle Jerks’ Skanker:

 

O desenho foi feito pela cartunista Shawn Kerri, dos EUA.

The logo was designed by american artist Shawn Kerri, who also did great flyers and albuns covers.

Nascida Shawn Maureen Fitzgerald em 1958, ela esteve fortemente ligada ao punk californiano do fim dos anos 70. Fez, por exemplo, o flyer do primeiro show do Bad Brains na costa oeste, com Bad Religion, Lewd e Jody’s Foster Army:

Entre os outros muitos flyers que fez, shows do Germs, Circle Jerks, e a sensacional caricatura do Adolescents:

Fez a capa do disco Skeletons in the closet, do Eddie and the Subtitles – e, pelo estilo, eu chutaria que também assina a capa do single Louie Louie:

Existe uma série de boatos de que Shanw estaria morta desde a década de 90. Mas há quem diga que não. Existe até um perfil no facebook para ela. Conta a lenda que ela precisou entregar os direitos sobre o Skanker para o Circle Jerks na época do VI, para evitar um processo, mas não achei nada confiável sobre isso. O que parece mais certo é que o desenho original é esse em preto-e-branco, que aparece no encarte do Group sex. O número 1 tornou-se famoso e virou um logo excelente para uma banda fantástica:

Mais para o final dos anos oitenta, o Circle Jerks usou uma versão mais skate, com camisa xadrez e tênis:

O originalzão, porém, é esse aí, menos elaborado e mais bacana:

Anúncios

Sugar baratinho

Atenção quem mora em Curitiba: o excelente disco Besides, do Sugar, na versão nacional, está por R$ 12,00 – DOZE REAIS!! – no Sebo Líder da Emiliano Perneta. Uma pechincha por um disco fantástico de uma das bandas mais fabulosas de todos os tempos.

Jock-O-Rama ou Macho-Rama ?

Os discos do Dead Kennedys são sempre cheios de controvérsias em suas múltiplas versões. Fresh fruit for rotting vegetables existe com capa laranja e com capa preta, na capa preta com o nome da banda em branco e em amarelo, com 14 ou 15 músicas, com os rostos na foto de trás e sem os rostos, até sem a foto. In god we trust, inc. existe com o nome da banda na parte de cima da capa e o nome do disco no pé, mas também o contrário. Plastic Surgery Disasters tem a versão na qual o disco acaba com a última frase sendo repetida pela mulher várias vezes, como se o disco estivesse riscado, e tem a versão na qual a última frase é dita só uma vez. Um desafio para os colecionadores de discos, dor de cabeça e dor no bolso na certa. E em Frankenchrist, uma diferença importante está na música Jock-O-Rama/Macho-Rama.

Trata-se do terceiro disco da banda – quarto se contarmos o In god we trust, inc. É um disco bem diferente dos anteriores – aliás, Dead Kennedys não tem dois discos parecidos, são todos bastante distintos entre si, explorando vários estilos que a banda inventou dentro do punk rock. Esse é o disco mais “lento” da banda, e com menos músicas: apenas cinco de cada lado. Sua grande controvérsia foi causada pelo pôster, a arte Penis landscape, do artista suíço H. R. Giger, famoso pelo Alien. A pintura, de 1973, foi incluída como encarte no disco (veja acima), e causou um processo contra a banda por “distribuição de material pornográfico a menores”. O processo poderia ser mais sério se a banda tivesse aceitado a ideia original de Jello Biafra, que era colocar a arte na capa do disco. Não quiseram. Tentou colocar por dentro de uma capa como as de álbum duplo, daquelas que abrem, como fez depois em Bedtime for democracy. Também não aceitaram. Ficou um pôster encartado, mesmo.

Na primeira versão do disco, lançada nos EUA pela Alternative Tentacles, a primeira música do lado B se chama Jock-O-Rama (Invasion of the beef patrol). É uma chiação forte contra a formação oferecida nos colégios dos EUA: o guri tem que ser um heroi no futebol americano, quebra o pescoço e nunca mais vai andar, mas pelo menos foi um herói, um macho. Nessa versão, ao menos na que eu tenho, o encarte-capa interno é preto, impresso em tinta branca, no verso, onde estão as letras (no anverso é o contrário). O subtítulo da música está em um parêntese que abre mas não fecha:

Na versão inglesa, na versão alemã e na versão australiana, a música Jock-O-Rama misteriosamente é substituída por Macho-Rama (Invasion of the beef patrol), com a mesma letra, idêntica, exceto pelo nome e pelo refrão. Jello canta “macho” e não “jock-o”. Na inglesa, outra que eu tenho, o encarte-capa interno, na parte das letras, é branco, escrito em preto, como num negativo da versão americana (idem para o anverso):

Tentei por muitos anos encontrar um motivo ou uma explicação para essa diferença. Nunca achei, até hoje. Achei palpites: um inglês e uma australiana, com quem conversei pela internet, disseram que a expressão “jock”, em 1985, só seria entendida por alguém dos EUA, pois era uma gíria interna, e precisaria ter sido “traduzida” nas versões para fora de lá. Vai saber…

Dead Kennedys’ records were always made in different versions. There are versions of Fresh fruit for rotting vegetables with orange and black cover, with the name of the band written in white and yellow, the back picture with heads, without heads, even without the pictures, with 14 or 15 songs. There’s a version of In god we trust, inc. with the name of the band in the top of the cover and the name of the record in the bottom, and other inverted. Plastic Surgery Disasters, in some versions, end with the last phrase being repected as if it were a damaged LP, and in other it ends with the last phrase spoke on time only. A headache and a “pocketache” for record collectors. In Frankenchrist, an important difference is in the song Jock-O-Rama/Macho-Rama.

It’s DK’s third record – fourth if you count In god we trust, inc. It’s very different from others. All Dead Kennedys’ records were different from each other, a very rich band musically. This is the most “slow” record, with only 5 tracks each side. It had a big controversy because of Penis Landscape, the poster made by H. R. Ginger, famous because of Alien. The band was accused of distribution of porn material to minors. Maybe the problem could be more serious if the band put the picture on the sleeve as Jello Biafra inicially prefered – as it is stated in Wikipedia. 

In the first version released by Alternative Tentacles in USA of Frankenchrist, the first song in Side B is called Jock-O-Rama (Invasion of the beef patrol). It is against how kids were raised in USA schools, the kid must be a macho. In the version I have, the lyrics are printed in white on a black paper (the opposite in the other side of the insert). 

In the english, the australian and the german versions the song is called Macho-RamaJock-O-Rama (Invasion of the beef patrol) and the colours black and white are inverted.

I don’t know why this is like this. Some say it’s because the word “jock” wouldn’t be properly understood outside USA. But who knows ?

Sons californianos na manhã curitibana

Agora de manhã, sábado de chuva em Curitiba, fui até a Raridade Disco comprar agulha nova pro toca-discos. Coloquei no som do carro o Forever Hasn’t Happened Yet, o excelente disco de 2005 do John Doe, apropriado para a ocasião. Um disco intimista, um pouco amargurado em alguns momentos, resignado em outros. Disco de gente grande, pra ouvir na chuva.

Agulha comprada, estava voltando pra casa e passei pertinho do Sebo Fígaro. Resolvi entrar pra dar uma olhada. Fui fuçar primeiro a sessão de vinil, e, numa dose de sorte, encontro o Live at the Whisky a Go Go on the Fabulous Sunset Strip, edição nacional. Capa em estado razoável, mas o LP em excelente estado, melhor que o meu. Preço da parada: R$ 10,00. Já reservei. Ouvir John Doe de manhã deu sorte, pensei.  Aí fui ver se tinha alguma coisa na seção de CDs. Aí sim o mais improvável aconteceu.

Lá estava um exemplar da edição norte-americana, de 1997, do Show World, o fabuloso último disco de estúdio do Redd Kross. Depois desse disco, o guitarrista Eddie Kurdzlel, que tinha entrado pra banda em 1993, morreu, e o grupo parou. Em 2006 o Redd Kross voltou a tocar, com Robert Hecker na guitarra, o mesmo que esteve na banda entre 1984 e 1991 e que é campeão dos 110 metros com barreiras (!).

Mais R$ 20,00, e o disco veio pra minha coleção. Impecável, exceto que o antigo dono, num rompante de delírio, resolveu destacar, à caneta, no encarte, algumas músicas – talvez as que mais gostou, ou que fosse gravar em uma coletânea, ou sabe-se lá o que passou pela cabeça do cidadão. Estão circuladas Pretty Please Me, You Lied Again, Girl God, Mess Around e Secret Life. Paciência, valeu a compra sem dúvida.

Já felizão com as aquisições, bati o olho no Car Bottom Cloth, do Lemonheads. A banda é de Boston, mas tem ligação com a California: Bill Stevenson e Karl Alvarez, do All e do Descendents, formaram com Evan Dando a banda nos shows de 2005, e lançaram o ótimo disco Lemonheads em 2006. R$ 13,00 pelo CD, também impecável. Um descontinho para quem já tinha comprado dois discos, e veio por déizão.

Agulha instalada, coloquei o New Day Rising, do Hüsker Dü, pra testar. Excelente, ouvindo bem todos os chiados. Uma bela manhã de sábado.

25 anos da BYO e do Youth Brigade

Há quase um ano, mencionei que sairia uma nova coletânea da BYO, comemorativa de 25 anos, e que CH3 tocaria Nils, e que Nils tocaria CH3.

A boa notícia é que a coletânea saiu !

Intitulada Let Them Know: The Story of Youth Brigade and BYO Records, a coletânea saiu em uma edição absolutamente de luxo e que tem que estar na mesa da sala de quem gosta de punk californiano.

É um álbum duplo em LP, mais um CD com as mesmas músicas, mais um DVD documentário, e mais um livro de 100 páginas de história e fotografias.

Out now deluxe edition of BYO Records new compilation, entitled Let Them Know: 2 LPs, 1 CD, 1 DVD and 1 100-page book.

Ainda não encomendei o meu, já gastei muito dinheiro em disco esse mês. Mas você pode encomendar aqui, direto no site da BYO Records.

 

 

Hard Times and Nursery Rhymes Deluxe Edition – iTunes Store no Brasil

A versão em CD do disco Hard Times and Nursery Rhymes, do Social Distortion, lançada pela Epitaph, vem com 11 músicas:

A versão em vinil é um álbum duplo, com 13 músicas. As outras são I Won’t Run no More e Take Care of Yourself, duas músicas excelentes que elevam o já alto nível do disco:

E uma versão vendida pela iTunes Store, chamda “Deluxe Edition”, além das 13, ainda vem com uma regravação de Down Here (w/ the rest of us), do White Light White Heat White TrashNa época eu mencionei.

Na verdade, é uma versão country acústica, com violões e acordeon, saída das “garage sessions” do Channel 93.9, de 16 de outubro de 2010. Mike Ness e Jonny 2Bags Wickersham nos violões, Brent Harding numa espécie de baixolão, David Hidalgo Jr. na bateria e – tenho quase certeza  – Danny McGough no acordeon. Completamente outro clima: nada a ver com a versão antiga, que era amargurada e azeda. Essa é diferente – em alguns momentos é quase alegre. Se quiser escutar e ver eles tocando, acesse o site da 93.9. Lá também tem os videos de Cold Feelings, Ring of Fire, Ball and Chain, Reach for the Sky e King of Fools,  além de entrevistas, tudo na mesma session.

Pra comprar só essa música, custa 99 centavos de dólar na iTunes Store. Com a chegada da loja virtual ao Brasil, no final do ano passado, agora podemos comprar com facilidade. Comprei a minha e depois baixei a session inteira nesse blog.

Curiosidade: o disco tem o mesmo nome do livro da advogada Claudia Trupp.