II Curitiba Ramones Day – 10: Brain Drain

O décimo da lista é o Brain Drain. Outro disco querido: foi o primeiro que eu vi ser lançado e, em 1989, era o “novo” do Ramones para mim.

Achei uma capa sem aquele adesivo “incluindo o sucesso…”, que infestava a edição brasileira. Quem tentava arrancar, rasgava a capa. Era batata.

Brain Drain abre com I Believe In Miracles. Eu arriscaria dizer que essa música foi tocada em todos os shows de 1989 para frente. É uma música daquelas feitas para ser clássico, do Dee Dee Ramone e do Daniel Rey

Zero Zero UFO é sobre uma maconha de alto grau de pureza. Outra da mesma parceria, é tocada quase na velocidade que a banda fazia ao vivo, naquelas músicas mais rápidas.

Don’t Bust My Chops é da mesma dupla mais o Joey Ramone. Tem a batida parecida com I Believe In Miracles.

Punishment Fits the Crime é uma balada do Dee Dee com o Richie Stotts, primeiro guitarrista do Plasmatics.

Um show nos vocais e na bateria: assim é All Screwed Up, música composta pela banda paralela, de ensaio, que Joey e Marky tinham na época, com Daniel Rey e Andy Shernoff. Ponto alto do disco.

O lado A fecha com Palisades Park, belo cover do Charles Barris. Outra das melhores.

Abrindo o lado B, vem Pet Sematary. Eu fui ver esse filme no cinema, junto com um grupo de amigos de Guaratuba que resolveu se encontrar em Curitiba. Neves estava lá. No filme, o caminhoneiro que mata o guri está ouvindo Sheena Is A Punk Rocker quando ocorre o atropelamento. No livro, o pai do guri escuta Rockaway Beach quando vai enterrar a criança, e se hospeda no hotel com o nome falso Dee Dee Ramone. Mas Pet Sematary não está no filme, começa no final, quando aparecem os créditos e as letras começam a subir. No cinema, naquele dia, foi a primeira vez que ouvi essa música de gala.

Learn to Listen é a sexta e última música que o Dee Dee escreveu em um disco do qual participa – participa ou não, porque ele conta que não chegou a gravar o baixo do disco, vai saber. Ele já estava virando Dee Dee King nessa época. Com esse nome, lançou seu primeiro disco solo, sempre classificado como um disco de rap. Não é bem assim. Tem baladas e punk rocks, além de raps com guitarras, nesse ótimo Standing In The Spotlight – rap mesmo é o single Funky Man, que lembra Beastie Boys. Na contracapa, Dee Dee King está com uma camiseta do CBGB’s. O disco sairia logo em seguida, no mesmo ano de 1989, com colaborações da Debbie Harry, do Chris Stein e, diz a Vera Ramone, do Marky Ramone também. Produzido pelo Daniel Rey, que também toca no disco. Lançado pela Sire Records, todas as músicas, fora o cover, são da dupal Dee Dee King/Daniel Rey. Como se vê, não é assim uma ruptura tão grande. Ou: é ruptura com continuidade. Antecipou em muitos anos a combinação rosa/azul claro de certo pessoal do hip hop.

Dali pra frente, o disco é do Joey Ramone. Can’t Get You Outta My Mind, música antigona mas nunca gravada, saiu com vocais maravilhosos no Brain Drain.

Ignorance Is Bliss, da parceria de Joey com Andy Shernoff, é um hardcorezão acelerado, parecido com os que o Dee Dee compunha.

Come Back, Baby tem a melhor guitarra solo do planeta.

Merry Christmas (I Don’t Want to Fight Tonight) é a melhor do disco.

Nesse encarte aí de cima, aparecia escrito “The Ramones use Pearl Drums”. Por isso minha bateria é Pearl. Gau Gau pode confirmar, mas acho que ele também teve a mesma influência.

Brain Drain apareceu em último na lista de 10. Injustiça, não poderia ser o último. Pior ainda os que ficaram de fora. Vou continuar a lista, porque deixar o End of The Century, o Subterranean Jungle, o Acid Eaters e o Too Tough To Die de fora é inaceitável.

E não esqueçam: dia 19, quinta-feira, logo logo, tem o Ramones Day, que o Dudu transformou, nessa edição de 2011, em um Joey Ramone Birthday Bash curitibano. Vai ser uma beleza.

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8 pensamentos sobre “II Curitiba Ramones Day – 10: Brain Drain

    • Marky Ramone, além de tocar como ninguém, é fora de série ao acertar o som da bateria e ao gravar. Desde que ele voltou para o Ramones, os sons de bateria são perfeitos, inclusive dos discos solo dele, e dele com outros, como no Don’t Worry About Me, do Joey, e o Ain’t it Fun ?/Zonked, do Dee Dee.

  1. Hehehe, eu tentei arrancar o adesivo e rasguei a capa.
    E o Road to Ruin não é dos meus favoritos, mas também foi “o primeiro que eu ouvi, e o primeiro que eu comprei (na verdade, ganhei), e o primeiro que eu tive”, logo, mora no meu coração pra sempre.
    Abraço!

  2. Excelentes textos!
    Folloni, conheço um outro cara que voltou do show do Olimpia em 1992 e na mesma semana comprou uma Pearl branca, igual a do Marky, hehehe.

    Sugiro que faça um post de menção honrosa aos discos que ficaram de fora. O Ramones é uma banda que permite estes caprichos sem tornar a coisa cansativa ou forçada.
    Manda bala.

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