II Curitiba Ramones Day – 8: Mondo Bizarro

O oitavo disco do Ramones que quero lembrar nessa lista é o excelente Mondo Bizarro.

Lançado em 1992, foi um dos maiores sucessos comerciais da banda. Disco de ouro no Brasil e na Argentina. Produzido por Ed Stasium, o mesmo da masterpiece Too Tough To Die – que incrivelmente ainda não apareceu entre os oito dessa lista furada.

O disco abre com Censorshit, uma reação de Joey Ramone a Tipper Gore, uma das grandes responsáveis por aquele selinho “parental advisory”, que infestou as capas de disco do final da década de oitenta e início da década de noventa. Selo que causou um efeito inverso: quando eu via um disco com aquele selo, como o primeiro do Danzig ou o Ritual De Lo Habitual, do Jane’s Addiction, ficava ainda com mais vontade de ouvir.

The Job That Ate My Brain é como uma segunda parte de It’s Not My Place, embora bem diferente musicalmente. A bateria do Marky lembra os trabalhos do Tommy no Rocket To Russia.

Poison Heart é maravilhosa música da dupla Dee Dee Ramone / Daniel Rey. Dee Dee já havia saído da banda há três anos, mas ainda era compositor importante, e sempre seria.

Anxiety era a música preferida do Rodrigo Meister Mindoim. Primeira composição do Marky Ramone a aparecer em um disco da banda.

Strength to Endure é um hino absoluto do punk rock mundial. Outra do Dee Dee e do Daniel Rey, é a primeira vez que CJ canta em um disco de estúdio.

It’s Gonna Be Alright, da dupla Joey Ramone / Andy Shernoff, o baixista do Dictators, fala agradecidamente sobre os fãs do Ramones. Realmente, somos os melhores fãs do mundo, sem dúvida.

Vem o cover do disco, a excelente Take It As It Comes, do Doors.

Segue outro clássico do Dee Dee com o Rey, Main Man. CJ, no show de Curitiba do Bad Chopper, disse que essa era a melhor música que Dee Dee tinha composto na vida. Olha que é difícil, mas está entre as melhores, mesmo.

Joey e Andy compõem I Won’t Let it Happen, balada maravilhosa, com uma excelente bateria do Marky Ramone, mais ou menos parecida, em certos pontos, com a bateria de Punishment Fits the Crime.

Cabbies on Crack, outra do Joey – esse é um disco muito cara do Joey – tem o Vernon Reid na Guitarra, e é outra música fantástica.

Heidi Is A Headcase, para mim, durante muito tempo, foi a melhor música do disco. Música porrada e ao mesmo tempo bonita, da parceria entre Joey e Daniel Rey.

O disco fecha com Touring, música do Joey, que lembra Rock and Roll High School  e, inclusive, é da mesma época, mas demorou para ser gravada.

Mondo Bizarro mereceu os discos de ouro que recebeu e muito mais. É um disco do coração, pra mim, porque na turnê desse disco foi o primeiro show do Ramones que eu vi. Antes de ouvir o cd, ouvi ao vivo Censorshit, Tomorrow She Goes Away, e outras que não lembro mais. Nos EUA, parte da turnê foi aberta pelo Social Distortion, e aparece isso no clip de Strenght to Endure.

Maravilha esse disco.

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7 pensamentos sobre “II Curitiba Ramones Day – 8: Mondo Bizarro

  1. the job that ate foi a primeira musica marky nesse disco.
    anxiety foi a segunda… pela ordem.
    mas ele ja tinha contribuido em learn to listen e all screwed up.

    mondo bizarro é um disco querido da nossa geração pois para muitos foi o primeiro disco que a galera ficou “esperando sair”…
    e quase todo mundo comprou no formato cd que era novidade.
    o disco vinha com 5 letras… o que não era pouco perto de animal boy e brain drain.

    antes do lançamento do disco ouvimos censorshit e tomorrow she goes away no show do olimpia em 1992.
    logo após o show achavamos que tomorrow she goes away era meio que um cover de i turned into a martian.

    belas vozes de joey (sóbrio desde 1990) e de cjay nesse colossal disco.

    um disco joey e por isso mesmo johnny diz que não gosta!

    abraço a todos.

    excelente esse seu top ten.

    cheers!

    • Dudu, sempre preciso, lembrando coisas que eu não lembrei. Como as músicas do Marky no Brain Drain, que será meu décimo, depois do Road to Ruin, o próximo.

      Quando voltamos do show do Olympia, no ônibus, tinha a “música do come on”, que era Censorshit, e o semi-cover de I Turned Into a Martian, exatamente como você lembrou. Fico na dúvida se naquele setlist não tinha alguma outra, mas acho que não. Lembro também que a banda Wart Hog, que era basicamente o Durango 95 só que com o Gau Gau na bateria, fazia cover do Ramones. E quando eles tocavam Tomorrow She Goes Away, o Daniel do Valle fazia backing estilo Misfits. Lembro ainda que paramos na estrada pra comer, e ninguém pagou a conta, e alguém disse – acho que foi você até – que quem pagou era bizarro. E foi uma gíria nova, chamar tudo de bizarro. Em 92.

      Eu cheguei a esperar sair o Brain Drain, mas não com tanta ansiedade (anxiety) quanto esperei o Mondo. Depois do Lifestyles of the Ramones e do It’s Alive, tínhamos muita curiosidade no disco de estúdio com o CJ.

      E, realmente: é um disco Joey. Nessa época ele estava sóbrio e muito ativo, tinha a banda paralela Resistance e se envolvia em projetos culturais e políticos.

      Valeu lembrar tudo isso, Dudu, o Ramones Day vai ser phoda.

      • E outra coisa: cd era formato novo, mesmo, mas não tanto, porque o Loco Live tinha saído em cd, se bem que importado, se não me engano. A versão em vinil do Loco Live era difícil, comprei a minha na Megaphone do Omar. O Brain Drain saiu em vinil, com aquele adesivo de merda na capa, que era impossível de tirar sem estragar tudo. E o All The Stuff 1 também saiu em vinil.

        Tenho o Mondo Bizarro em vinil, autografado pelo CJay, além de todos os outros.

  2. locolive foi meu primeiro cd.
    o segundo foi dag nasty 85-86.
    o terceiro não me lembro… que pena!

    também comprei locolive em vinil na megaphone.
    achava que seria um disco duplo mas era apenas um… e com musicas diferentes.

    se não estou enganado paguei a conta naquele ampm… acho que não fui eu quem disseminou a giria bizarro… mas posso estar errado.

    tbém teve take it as it comes naquele set list do show do olimpia (destaque para o final com strenght to endure, beat on the brat e basement):
    Durango 95 Teenage Lobotomy Psycho Therapy Blitzkrieg Bop Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio? I Believe In Miracles Gimme Gimme Shock Treatment Rock ‘N’ Roll High School I Wanna Be Sedated Censorshit I Wanna Live My Brain Is Hanging Upside Down (Bonzo Goes to Bitburg) Tomorrow She Goes Away Sheena Is A Punk Rocker Rockaway Beach Pet Sematary I Wanna Be Well Glad To See You Go Take It As It Comes (The Doors cover)
    Somebody Put Something In My Drink Animal Boy Wart Hog Cretin Hop Judy Is A Punk Today Your Love, Tomorrow The World Pinhead Do You Wanna Dance? (Bobby Freeman cover)
    Chinese Rock We’re A Happy Family Strength To Endure Beat On The Brat I Don’t Wanna Go Down To The Basement

    abrax

    • Meu primeiro cd foi o Controlled By Hatred do Suicidal, que meu tio Sérgio, que morava nos EUA, mandou de presente.
      E meu primeiro vinil foi o Dig That Groove Baby.
      Minha primeira fita foram duas que ganhei do mesmo tio ao mesmo tempo: Fugazi e Damned.

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