II Curitiba Ramones Day – 4: Pleasant Dreams

Meu quarto disco preferido do Ramones é o Pleasant Dreams.

Pleasant Dreams é um disco diferente, sob muitos aspectos. É o primeiro deles sem covers. É o primeiro sem eles na capa. É o primeiro que só tem composições de Joey e Dee Dee. Tem uma produção impecável, mais para o pop que para o punk em algumas músicas, mais para o punk que para o pop em outras.

Abre com We Want The Airwaves, do Joey, um protesto contra o radio da época, seguindo a linha de Do You Remember Rock And Roll Radio ?  A introdução dessa música tem uma guitarra que, quando era tocada ao vivo na turnê de 1981, ficava igualzinha, mas eu queria ver isso direito, não apenas ouvir. Infelizmente, não tenho nenhum vídeo, só áudio.

Segue All’s Quiet On The Eastern Front, do Dee Dee, “near some cats but dogs don’t bark”, regravada por ele mesmo com a banda ICLC.

The KKK Took My Baby Away é uma música tão linda quanto controvertida. Alguns dizem que foi escrita, pelo Joey, em função do “roubo” da Linda, sua namorada, pelo Johnny, que seria a KKK e iria para Los Angeles – o filme End Of The Century sustenta essa versão. Outros dizem que a música é mais antiga, sendo composta muito antes desse episódio. O que importa é que é uma música fantástica, tocada em quase todos os shows de 1981 em diante.

Don’t Go é baladinha adolescente, som de fino trato, com um excelente trabalho de bateria do Marky – aliás, o disco todo é perfeito em termos de bateria.

Dee Dee escreveu a música seguinte, You Sound Like You´re Sick, provavelmente sobre alguma de suas namoradas maluconas. Rápida e ramoníaca, ponto alto do disco. Preste atenção no chimbal abrindo e fechando, uma beleza.

E o lado A acaba com It’s Not My Place (in the 9 to 5 world), do Joey, contra a rotina de trabalho das pessoas normais não rockstars. Tem uma levada bem diferente do que a banda fizera até então.

She’s A Sensation, incrivelmente, não é a música mais conhecida deles, embora seja uma das melhores. Perfeita da introdução ao final, é outra obra-prima do Joey.

Depois dela, vem 7-11, outra do Joey, música que conta história de amor, mais ou menos como Oh Oh I Love Her So, só que esta é porrada, e aquela uma baladona arrastada.

De novo parecendo se dirigir a uma ex-namorada, é de Dee Dee o petardo You Didn’t Mean Anything To Me, que, junto com You Sound Like You´re Sick, é uma das duas únicas músicas com a velocidade tradicional da banda nesse disco, lembrando os shows ao vivo.

A seguinte também é do Dee Dee, novamente uma das melhores músicas da banda, nota 10 e meio. Come On Now, escrita pelo “junk food guy”, foi regravada por ele no Greatest and Latest, e às vezes penso que ficou ainda melhor.

This Business Is Killing Me, também tão diferente quanto It’s Not My Place, é complementar a ela: se o mundo do 9-to-5 não servia pro Joey, também o music business estava detonando com ele, em letra na linha de All The Way.

A última, também do Dee Dee, é Sitting In My Room, outra com letra com a qual qualquer adolescente que se preze se identificaria: “sitting in my room/ record player on… they got complains about everything/they just wanna worry/it´s us against them/ maybe they should try and sniff some glue”.

Obra-prima da banda, Pleasant Dreams é meu quarto lugar no Top 10 elaborado especialmente para o II Curitiba Ramones Day, a pedidos do Dudu Munhoz.

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5 pensamentos sobre “II Curitiba Ramones Day – 4: Pleasant Dreams

  1. excelente texto.
    belo disco.
    dizem que um segundo guitarrista ficava na lateral do palco fazendo a outra guitarra de we want the airwaves.

    mickey leigh ajudou muitoo joey pra compor 9 To 5 World.

    muitos teclados nesse disco.

    a bateria de kkk foi inspirada aqui: http://www.youtube.com/watch?v=N6M5mS1AAu4&feature=related

    a capa do disco foi inspirada aqui: http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/cera/poster_museudecera.jpg

    ate agora então:
    halfway
    animal boy
    rocket
    pleasant

    abraço a todos

    • Pois é, essa história desse segundo guitarrista, por isso falei que eu queria um dia “ver” eles tocando, não só ouvir.
      Boa dica essa da capa, não conhecia.
      Na sequência vem o quinto. Cara, tinha que ser um top 18, pra não deixar nenhum de fora. Muito difícil isso aí.

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