II Ramones Day em Curitiba – Halfway to Sanity

Ramones aposentou-se em Los Angeles, no dia 6 de agosto de 1996, quando fez seu 2.263ceiro e último show no Palace, teatro de gala localizado no número 1735 da Vine Street, quase esquina com a Hollywood Blvd – casa que, na época, tinha já 70 anos de história !

Joey Ramone circulou com uma camiseta do Social Distortion em 1992, época em que as bandas fizeram turnê juntas pelos Estados Unidos.

Dee Dee Ramone circulou com uma camiseta do Suicidal Tendencies na segunda metade da década de 1980.

Johnny Ramone foi morar em Los Angeles ao se aposentar – segundo Dee Dee, pra fugir de encrenca com o Jimmy Gestapo, do Murphy’s Law, em New York.

Dee Dee Ramone está enterrado no cemitério Hollywood Forever, em Los Angeles, e perto da sua tumba está uma estátua do Johnny Ramone, que foi cremado.

Ramones gravou “California Sun”, cover do Joe Jones, no disco Leave Home, de 1977, e tocou a música em quase todos os shows que fez dali em diante.

Tudo isso pra arranjar uma desculpa pra falar de Ramones aqui no California Sons.

O velho amigo Dudu Munhoz, que já organizou o primeiro Curitiba Ramones Day, em 2009, no exato dia de aniversário dos 15 anos do único show do Ramones em Curitiba, para mais de 30.000 pessoas na saudosa Pedreira Paulo Leminski, está por aí de novo com o segundo Curitiba Ramones Day. Será no dia 19 de maio, aniversário de 60 anos do nascimento do Joey Ramone. Ele pediu um top 10 dos discos de estúdio do Ramones – ele ressaltou: não vale ao vivo. Claro, senão o top 1 de todo mundo seria o It’s Alive. Então, atendendo ao Dudu, vou postar aqui meu top 10. Começo pelo top 1, que é o Halfway to Sanity.

Comecei a ouvir Ramones, segundo lembro, em 1988, na sétima série do Colégio Santa Maria. Sei disso porque foi quando saiu ou logo antes de sair o Ramonesmania. Na época, só conhecia I Wanna Live e Bop Til You Drop, as duas primeiras músicas do disco, que estavam também nessa coletânea. O Halfway to Sanity inteiro eu conheci, tempos depois, por uma fita gravada, acho que pelo meu primo Dugo. A primeira vez que vi o disco foi na Jukebox, loja do Carlão, na Rua 13 de Maio, ponto de encontro de rockers, punks, headbangers, rockabillies e carecas naquela época.

I Wanna Live é uma música perfeita. O videoclip da música também, em preto e branco, com a banda no palco – Marky dublando a bateria gravada pelo Richie – e viajando no avião “Spirit of Buddy Holly”. Sobre esse clip, mais tarde, Dee Dee lembrou: “eu gravando um clip de uma música chamada I Wanna Live, mas tudo o que eu queria era morrer”. E ele compôs a música com o parceiro Daniel Ray, inaugurando uma pareceria que fez muitas das melhores músicas dos últimos dez anos da banda, e de sua carreira solo, além do maior hit radiofônico do Ramones: Pet Sematary.

Bop Til You Drop tem uma guitarra pesada, e uma bateria idem. Composta por Dee Dee e Johnny, é destaque, inclusive, porque tem uma estrutura musical incomum no Ramones: é uma música sem refrão. No lugar de refrão, um riff, que desce de um mi em tom alto até o mizão.

Garden of Serenity, tanto a música quanto a letra, tem um clima noturno e sombrio.  Terceira música seguida do disco composta por Dee Dee, essa também com Daniel Ray.

Weasel Face tem uma sequência de notas também incomum, e leva a banda para além do que costumava compor, revelando toda a criatividade que Dee Dee possuía. A música é dele com o Johnny.

Go Lil’ Camaro Go é a única música “feliz”, por assim dizer, do álbum. “Girls cars sun fun/ Good Times for everyone”, diz o refrão cantado com backing vocals de Debbie Harry. A letra soaria mais Joey, mas também é do Dee Dee. Nas cinco primeiras músicas, quase um disco solo do baixista.

O lado A do disco fecha com I Know Better Now, composta pelo baterista Richie Ramone, que sairia da banda logo em seguida. Um hino pós-adolescente.

Abre o lado B a lindíssima Death of Me. A estrutura de bateria é comum nas músicas da banda, como em I Don’t Want You e I Believe in Miracles, só que mais lenta. Joey canta com aquela emoção, naquela voz arrastada que aparece também em She Talks to Rainbows e outras.

I Lost My Mind, letra de três frases, típica do Dee Dee, punk rock como só ele fazia, cantada por ele, gritada por ele.

A Real Cool Time tinha que ser a música mais tocada de todo o universo. Joey em seu esplendor enquanto compositor apaixonado. Pop bubblegum lançado num EP, sob o nome “Real Cool Time”, sem o artigo, e cujo lado B tinha Life Goes On, música parecida, temática diferente, e Indian Giver, num dos melhores EPs da banda. “Real Cool Time”, sem o artigo, é nome de música do primeiro disco do Stooges, psicodélica mas a mais curta daquele disco.

I’m not Jesus é um hardcore acelerado, seguindo o estilo inaugurado com Endless Vacation e seguido por Animal Boy e Eat that Rat. Composta também pelo Richie.

Bye Bye Baby é outra música do apaixonado Joey. A mais lenta da carreira da banda, uma das poucas fora do andamento 4/4.

O disco fecha com Worm Man, novamente do Dee Dee, também uma música típica, embora com um andamento e uma bateria diferentona. Criativa, e, além disso, uma das mais pessimistas que pode haver: “There’s no hope/ I wanna  puke/ I want some dirt/ Nobody’s my friend/ I’m no good to anyone/ I’ll never be happy/ I hate myself/ I wish I was dead/ Well all right…”.

A capa do disco é intrigante. Aparecem na porta de algum estabelecimento, aparentemente chinês, com luz vermelha lá dentro. Dee Dee com luva de motoqueiro de couro e rebites, Joey com uma meia roxa que procurei durante anos uma igual. Na contracapa, uma frase: “Play loud”. Uma obra-prima, é meu disco número 1 do Ramones, pelo menos por hoje.

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7 pensamentos sobre “II Ramones Day em Curitiba – Halfway to Sanity

  1. Quando consegui este disco, em 91, lembro que alguém (não vou contar quem), disse que era o pior disco do Ramones. Já o Folloni, o considera o melhor! Isso é que acontece quando uma banda tem, segundo o Dudu, todas as músicas com nota acima de 9.

  2. Concordo com vc plenamente, A Real Cool Time deveria ser a música mais tocada do universo. Esse foi o meu primeiro disco dos Ramones que eu escutei, acho que em 87. Foi amor à primeira ouvida…

  3. Como não conheci o Mauricião em 1991, não fui eu que disse isso. Mesmo salientando que Brain Drain e Halfway não estão entre os meus top 11 da banda.
    Desconfio que foi o Hiro…
    quase certeza.

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