Bateristas do Social Distortion IV – Bob Stubbs

O quarto baterista do Social Distortion, que veio após Derek O’Brien, chama-se Bob Stubbs. O cara nasceu em Sacramento, no norte da California, onde tocou no Authorities, The Vacant e Circle Kross. Chegou a tocar com Duane Peters no Red Tape. Com o fim dessa banda, Bob mudou-se para Los Angeles. Lá, ele conheceu John Maurer, e, junto com outro amigo, Briton Holmstrom, decidiram criar uma banda, que iria se chamar The Last Fetish. Mas essa banda nunca saiu: Mike Ness chamou Maurer e Bob para entrarem no Social Distortion, substituindo Brent Liles e Derek O’Brien.

Stubbs, na verdade, já conhecia Mike Ness das turnês do Social D. pelo norte da California. Conta que ficaram amigos em São Francisco, e moraram juntos, com Briton e Maurer, em um pequeno apartamento em Fullerton, Orange County. Quando Stubbs entrou para a banda, cogitava-se do retorno de Casey Royer, mas ele foi quem assumiu o posto.

Durante a década de 1980, Stubbs tocou com o Social Distortion, chegando a gravar algumas demos para o disco Prison Bound, que já saiu com o Christopher Reece. Ele diz ser co-autor da música I Want What I Want, desse disco. Deve ter sido a época mais trash do Mike Ness, com problema com drogas e com a polícia. Numa dessas, a banda deu um tempo, e Stubbs voltou para o norte da California, para tocar com uma série de outras bandas, inclusive por muitas outras cidades dos EUA. O pessoal, na época, debandou. Mike ficou na cadeia, Maurer foi trabalhar na empresa do pai, e Dennis entrou para uma banda chamada King Vultures.

Bob Stubbs está envolvido com punk rock até hoje. De vez em quando, assiste o Social D. ao vivo. Quando a banda abriu para o Ramones, na turnê do Somewhere Between Heaven and Hell, fizeram uma jam num bar chamado The Hollywood Alley. Stubbs é patrocinado pela Gretsch. Parece que sua banda atual chama-se Downhill Trend, e você pode conferir aqui, no MySpace do cara.

Bateristas do Social Distortion III – Derek O’Brien

Derek O’Brien entrou para o Social Distortion em 1981, logo após o lançamento do primeiro single da banda. Ele entrou para a bateria, e o Brent Liles entrou para o baixo, passando o Dennis Dannel para a segunda guitarra. Com o Mike Ness, formam o quarteto que, em outubro de 1981, lançou o EP 1945, pela gravadora 13th Floor, que era deles mesmo. O disquinho foi produzido pela própria banda, e o engenheiro de som foi o Chaz Ramirez, cara que trabalhou com quase todo mundo na cena californiana.

O single tinha, no lado B, Playpen e Under my Thumb, cover do Rolling Stones, que depois seria regravada no disco White Light White Heat White Trash, de 1996. As versões também foram relançadas no Mainliner.

Derek O’Brien participou, com o Social Distortion, da turnê de 1982, que foi documentada no filme Another State of Mind, lançado dois anos depois. A turnê envolvia o Social D. e o Youth Brigade, e lá pelas tantas o Minor Threat pinta na área. Quem quiser conferir, o filme foi relançado em DVD esses tempos, e tem uns extras.

Em 1983, Derek O’Brien participou das gravações e do lançamento do disco Mommy’s Little Monster. Nesse mesmo ano, alguns ensaios de estúdio foram filmados, e dá pra achar fácil no youtube. Veja o cara aqui, tocando Mass Hysteria, a música que saiu na primeira coletânea da BYO Records.

No ano novo de 1984, O’Brien saiu do Social Distortion. Nessa mesma época, tocou no D.I. Depois, não tenho notícias dele até 1989, quando ele se juntou, novamente, a Brent Liles, e ambos entraram no Agent Orange de Mike Palm. Essa formação gravou o disco Real Live Sound, gravado ao vivo no Roxy, em Los Angeles, no ano seguinte. Com excelente produção, o destaque do disco vai para o inusitado e excelente cover de Police Truck, do Dead Kennedys. Como veremos nos próximos dias, além de O’Brien e Casey Royer, mais gente tocou bateria tanto no Agent Orange quanto no Social Distortion…

Depois disso, Derek O’Brien juntou-se ao Steve Soto, ao Greg Hetson e ao Eric Melvin para fazer o Punk Rock Karaoke, um projeto no qual eles tocavam alguns clássicos e o pessoal da plateia subia pra cantar.

O baterista tocou com outras bandas menos conhecidas. Recentemente, assim como Casey Royer, Derek tocou com o Adolescents. Ele é baterista e produtor do disco O. C. Confidential, um espetáculo tanto em termos de produção, quanto de qualidade das músicas, quanto de qualidade da bateria. Pra mim, o melhor do Adolescents, aliás.

Bateristas do Social Distortion II – Carrot

Depois da debandada dos Adolescents, o primeiro baterista a gravar algo com o Social Distortion foi um cara conhecido simplesmente como Carrot. Ele gravou o primeiro single da banda, Mainliner/Playpen, em 1981. A capa trazia o primeiro logo deles, que, até hoje, é o autógrafo do Mike Ness.

Drummers of the band Social Distortion

Além desse EP, Robbie Field, da gravadora Posh Boy, e seu engenheiro de som David Hines, nas mesmas sessões de abril de 1981, gravaram outras quatro músicas do Social D., com o Carrot na bateria: 1945, All the Answers, Moral Threat e Justice for All.

Esta última música, depois, apareceu rebatizada como It’s the Law, no disco Prison Bound, de 1988, quando o baterista já era o imbatível Christopher Reece. Um pedacinho do segundo verso foi alterado. Quem presta atenção, percebe. Em 1981, Justice for All, quase um hardcore, era assim:

The deputy had a bad night
He had a little fight with his wife
So he’s gonna be pissed on the job and
He’s gonna bum out your life

Em português: “O delegado teve uma noite ruim; ele teve uma briguinha com sua esposa. Por isso, vai estar puto no trabalho, e vai complicar a sua vida

Em 1988, It’s the Law, já mais com influência do country, era assim:

The deputy had a bad night
He couldn’t get it up for his wife
So he’s gonna be pissed on the job and
He’s gonna bum out your life

Mais ou menos: “O delegado teve uma noite ruim; ele não conseguiu ‘levantar’ para a sua esposa. Por isso, vai estar puto no trabalho, e vai complicar a sua vida“.

Como dá pra notar, Mike Ness, em 1988, estava mais no veneno. Pudera: já tinha sido preso algumas vezes, e já tinha passado por desintoxicação por conta da heroína. Ficou no veneno até 1996, no disco White Light White Heat White Trash, ou 1997, no Live at the Roxy, quando disse: “We don’t do no happy songs”. Depois, em 2003, no Sex Love and Rock and Roll, já estava mais susse. E, em 2011, no Hard Times and Nursery Rhymes, escreveu umas duas “happy songs”.

Mas estamos, ainda, em 1981. Na época do Carrot, a banda era um trio, com Mike Ness e Dennis Dannel. O Mike Ness tocava uma SG com um belo adesivo da banda Joan Jett and the Blackhearts.

Todas aquelas músicas de 1981, vários anos depois, foram lançadas na coletânea Mainliner: Wreckage from the Past, pela gravadora Time Bomb. Depois desse lançamento, ficou fácil de ouvir, porque esse disco teve boa distribuição.

A música 1945, na versão da Posh Boy, foi tocada pelo onipresente Rodney Bingenheimer, da estação de rádio KROQ-FM, e saiu na coletânea, do mesmo ano de 1981, chamada Rodney on the ROQ. Reapareceu, depois, na Blood On The ROQ, de 1983, e na The Best Of Rodney On The ROQ, em 1989.

No mais, não tenho ideia de quem é esse Carrot, e do que ele faz hoje em dia, se é que ainda está vivo. Ouvi falar que era um local do norte de Orange County, talvez de Fullerton, mas isso não diz muita coisa. Seja como for, é o segundo baterista conhecido do Social Distortion, e o primeiro a deixar algum registro oficial de sua passagem pela banda. A única foto que já vi dele é na contracapa do primeiro EP. O próximo baterista, agora sim, será o Derek O’Brien.

Bateristas do Social Distortion I – Casey Royer

O site do Adolescents diz que a primeira banda de Rikk Agnew foi o Social Distortion. Consta, lá, que a primeira formação do Social D. era o Rikk, o irmão Frank, e o Casey Royer na bateria… e não aparece o Mike Ness!

Seja como for, o primeiro baterista do Social D. foi mesmo o Casey Royer, quando a banda começou, em 1978-79, época dos kids of the black hole. Iniciou-se, com ele, uma linhagem que viria a ser uma sequência de cidadãos antológicos, de finíssimo trato, a bater os tambores da banda do Mike Ness.

Achei uma entrevista na qual Casey fala em ter fundado o Social Distortion, com Mike Ness, entre 1976 e 1977, no seu quarto de adolescente, na casa da sua mãe. Quando o Social D. lançou seu primeiro compacto, Mainliner/Playpen, pela gravadora Posh Boy, em 1981, Royer já estava no Adolescents, junto com Rikk Agnew.

Nessa parte da entrevista, Royer conta como eram aqueles primeiros dias:

What brought you to disband Social Distortion? Was it really because of original guitarist Dennis Danell’s inability to play?

Mike and I were jamming for a couple years with bass player, Mark Garrett (RIP), with Rikk Agnew on guitar, and Tom Corvin singing. With a couple personnel changes, Mike wanted Dennis to play guitar. Dennis didn’t know how to play guitar, Rikk and I played well and were ready to play gigs, so we joined the Adolescents when Tony Adolescent asked.

So did you leave Social Distortion to pursue the Adolescents?

You have to understand, no one really was famous or trying to achieve rock and roll fame, so the decisions we made were pretty off the wall. A total disconnected new world that we ruled. Mike and I split up and I became the singer of S.D. for about a year with some early D.I. guys in 78. Even though Mike and I were the first S.D. I did make up the name so I went with it. I broke up S.D. and formed the Adolescents with Rikk Agnew. A new S.D. with Dennis Dannel (RIP), Brent Lyles RIP, (replaced by John Mauer) came about in 79; Social Distortion II… A whole new chapter.

Pra quem não lê inglês, basicamente o Royer conta que ele inventou o nome “Social Distortion”, e cantou na banda por um ano quando Mike Ness saiu, em 1978, com uns caras que depois tocaram no D.I. – devem ser os irmãos Agnew. Diz que acabou com o Social Distortion para formar o Adolescents com o Rikk Agnew – embora na resposta anterior diga que saiu do Social Distortion porque o Mike Ness queria trazer o Dennis Dannel, e atendeu ao chamado do Tony Adolescent para ir pra outra banda… Sei lá, né ?  Se quiser ler a entrevista toda e tirar suas conclusões, ela está aqui. É muito boa, Royer fala dos velhos tempos, dos novos tempos, do D.I., do punk velho e do punk atual.

Com o Adolescents, Royer gravou o primeiro disco e o EP Welcome to Reality, ambos lançados em 1981. Tocou também por um breve período no Agent Orange, e fez toda sua carreira no D.I., que está por aí até hoje, mas nesse caso como vocalista. Também participou do ADZ, com Tony Reflex e Rikk Agnew. Na capa do disco, aparece de bandana!

Vale checar uma boa performance do Casey Royer na bateria, raro nos dias atuais, nesse show do Adolescents, com uma formação absolutamente clássica, a mesma do primeiro e famoso disco azul: Tony Montana, Steve Soto, Rikk Agnew (de bandana !), Frank Agnew e Casey Royer.

Na próxima, Derek O’Brien. Pra fechar esta, uma foto do Casey Royer, atual, no D.I.:

SST

A área das praias, ao centro-sul da California, sempre foi prenhe de excelentes sons.  Numa das praias mais ao sul, Long Beach, quase na divisa entre LA County e Orange County, nasceu a SST Records.

A SST, Solid State Transmitters, foi fundada, em 1978, pelo Greg Ginn, fundador também do Black Flag. O nome estranho era da loja do Greg Ginn, que vendia rádios da segunda guerra, e depois foi transformada em loja de música, selo e gravadora.

O primeiro lançamento foi o EP Nervous Breakdown, praticamente o motivo de criação da SST. No começo, os telefones da SST foram grampeados pela polícia, que também circulava pela área fantasiada de mendigo, devido à violência que caracterizava os primeiros shows do Black Flag.

A gravadora está ativa até hoje, embora, desde 1998, meio paradona, junto com a Cruz Records, que lançou trabalhos solo do Greg Ginn.

Entre seus lançamentos mais conhecidos, está Hüsker Dü (na foto abaixo), Minutemen, Meat Puppets, Sonic Youth, Dicks, Subhumans, Saccharine Trust, Minuteflag (um ep com uma jam entre Minutemen e Black Flag – o Piupa tinha uma fita, que hoje está com o Gau Gau), Daz Damen, DC3, Bad Brains, Flesh Eaters, Screaming Trees, Descendents, Dinosaur Jr, Paul Roessler, Grant Hart em carreira solo, Soundgarden, Pat Smear (o mesmo do Germs, Nirvana, Nina Hagen e Foo Fighters, em carreira solo), El Bad (banda do Greg Ginn), e muitos outros.

Um dos últimos discos que saíram pela SST foi o Legends of Williamson County, da banda Greg Ginn & the Texas Taylor Corrugators, banda de jazz, blues e rock’n’roll que ele tem desde 2007. Aliás, de bandas que o Greg Ginn participou, a SST deve ter lançado uns 20 ou 30 discos. Aqui você pode conferir o Greg Ginn tocando jazz com sua banda, em 2008. Ele está no baixo.

De John Doe a John Doe

Encontrei para vender o disco A Year in the Wilderness, trabalho solo do grande John Doe, conhecido vocalista e baixista do X, uma das bandas pioneiras do punk em Los Angeles.

Doe também é ator. Um dos seus filmes mais famosos é A Fera do Rock, título original Great Balls of Fire, sobre o Jerry Lee Lewis, com o Dennis Quaid no papel principal. Doe faz o papel do pai da Winona Ryder, prima de 13 anos do Jerry Lee, com quem ele casa. O tio tocava na banda do Jerry.

Durante boa parte da carreira do X, o guitarrista foi o Billy Zoom, o cara mais cool da face da Terra. Verdadeiro Guitar-Hero, Zoom foi, por muito tempo, técnico de guitarra do Brian Setzer. Ambos têm em comum a paixão pelas guitarras Gretsch das décadas de 1950 e 60.

Zoom tocou também com Gene Vincent e Etta James, o que demonstra todo seu talento para muito além do punk rock. A guitarra do X, realmente, era um caso à parte.

Nesse video aqui, Billy Zoom está tocando com a banda do Mike Ness, com Charlie Quintana (The Plugz, Agent Orange, Social Distortion, Izzy Stradlin and the Ju Ju Hounds) na bateria, Sean Greaves (Joykiller) na telecaster, Brent Harding (Social Distortion, The Steeplejacks) no baixo.

Aí o ciclo se fecha, porque, além de Brian Setzer e Mike Ness terem trabalhado junto com o chicanasso Quintana, ele também tocou com o John Doe, em sua carreira solo.

6025

Antes de ser um modelo de telefone celular, 6025 foi o nome de um músico. Normalmente lembrada como uma banda com quatro integrantes, o Dead Kennedys, numa de suas formações iniciais, teve cinco: 6025 dividia as guitarras com East Bay Ray, e assim foi por seis meses, entre 1978 e 1979. Parece que, antes, tocou bateria por uns dias, na banda. Nessa mini-foto abaixo, ele está entre Jello Biafra e Klaus Flouride, de gravata:

6025 figura como compositor em algumas músicas que saíram no Fresh Fruit for Rotting Vegetables, no mini-LP In God We Trust, Inc. e na coletânea Give me Convenience or Give me Death. Ele deixou a banda antes do lançamento desses discos, mas ficou o registro de sua guitarra em Ill in the Head. Entre suas composições, clássicos da banda, como Forward to Death. Há informações no sentido que sua saída da banda teria se dado por diferenças artísticas: ele queria tocar um som mais progressivo.

Seu nome real parece ser Carlos Cadona. Dizem que ele é esquizofrênico, e que sua mãe é quem cuida de suas coisas. O mesmo cara que compôs Religious Vomit depois encontrou Jesus, e dedicou-se a tocar ópera gospel. Depois, em virtude de sua doença, ele parece ter precisado parar, e não há notícias de suas atividades atuais.

Encontrei, por acaso, um video no youtube, que dizem ser o último show do 6025 com o Dead Kennedys, em São Francisco, março de 1979. Ele aparece rapidamente, com uma bela camisa e uma Gibson SG, no canto esquerdo do palco, ao lado do Klaus, tocando o mega-clássico California Über Alles.