Dead Kennedys Live at the Deaf Club 1979

Sempre tive preconceito contra os lançamentos do Dead Kennedys que não são da Alternative Tentacles, aqueles que a banda sem o Jello Biafra lançou depois que ganhou o processo. Confio cegamente no Jello e, se ele disse que aquilo tudo era uma farsa, eu acreditei sem questionar. Não ouvi o Mutiny on the bay e nada que tenha saído nessa leva.

Mas eis que, no mês passado, Jello vem para Curitiba com sua Guantanamo School of Medicine, e faz um show fora de série, espetacular, incrível. Melhor que o show do Dead Kennedys, também por aqui, com o Brandon Cruz nos vocais. Aí reavivou em mim a vontade de ouvir tudo do Jello novamente. Fui de novo atrás dos Lard, dos discos dele com Zen Guerilla, NoMeansNo, DOA e todo aquele material. E não aguentei e baixei por aí o Live at the Deaf Club, lançado pelos outros kennedys em 2004. Pelo menos não paguei; Jello me perdoará.

I’ve never heard anything from the Dead Kennedys after Jello and Alternative Tentacles. But Jello came to Curitiba, Brazil, and I became curious about this stuff. So I tried “Live at the Deaf Club” and it’s a great show.

O disco é muito bom, recomendo. É uma gravação de 3 de março de 1979, mais ou menos um ano e meio antes do lançamento do Fresh fruit for rotting vegetables. O som está ótimo, a banda está ótima, tudo está ótimo.

É supreendente. Começam com Kill the Poor, numa versão com bateria disco/ska e sem aquela introdução matadora que abre o Fresh fruit. Além dela, estão lá vários clássicos do primeiro disco (Forward to Death, California Über Alles, Ill in the Head, Holiday in Cambodia, Viva Las Vegas) e dos primeiros singles (The Man with the Dogs, Police Truck). Em Forward to Death dá pra perceber nitidamente as duas guitarras dialogando, 6025 ainda na banda.

Tem uma música chamada Back in Rhodesia, que na verdade é When Ya Get Drafted com outra letra. Aliás, várias têm letras ligeiramente diferentes, e algumas têm certas partes na estrutura da música um pouco alteradas em comparação com o que foi gravado e lançado.

As versões de Straight A’s e de Short Songs, que aparecem no Give me convenience or give me death, são desse show e estão no disco também – não sabia até ouvir, ainda bem que superei o preconceito. Covers inusitados como Back in the U.S.S.R., dos Beatles, e Have I the Right?, do Honeycombs, fecham esse excelente disco.

Cheers Jello !

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Atom Willard no Social Distortion

Até agora, os videos que eu tinha visto do Atom Willard no Social Distortion não tinham me agradado. Mas, nesse aqui, a performance dele está excelente !

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Adolescents em Santos – 2010

Saí de São Paulo no sábado, dia 27/11/2010, às 18h30, desci pela Imigrantes e cheguei em Santos umas 19h30. Fui pra ver Adolescents, que ia fechar o festival SantosRock! (http://www.santosrockfestival.com/). Perdi o show de SP e o de Curitiba, mas não dava pra perder a última chance de ver uma das minhas bandas top3 da cena clássica de Orange County.

Procurei antes de tudo o lugar do show, e achei. Um lugar podre, estilo 92 só que maior, no centro histórico de Santos. Esse centro histórico, por sua vez, é um lugar podre, estilo Cruz Machado em Curitiba, só que pior. Aí resolvi procurar um hotel. Segui rumo à praia, que fica a uns 7 km do centro histórico. Lugar podre, estilo Balneário Camboriu só que pior. Resolvi que não ficaria em hotel nenhum. Depois do show, seguiria de volta pra São Paulo, porque a estrada é boa e é perto (menos de 70km). Troquei a cerveja por energético.

Quando cheguei, a primeira banda estava acabando. Não vi direito, só um cover do Bad Religion, música Generator. Deu pra sentir o drama, e fiquei satisfeito de ter chegado no fim. A segunda banda foi Safari Hamburgers, banda já quase velha de Santos, do começo da década de 90. O baterista é o Boca, o mesmo do Ratos de Porão. Ele tinha uma banquinha de venda de discos e camisetas. Comprei dele um vinil do Rövsvett antes de começar o show. Valeu pela banda e por ver ele tocar, muito bom, muito rápido e muito tosco. A terceira banda se chamava Big Nitrons, um psychobilly paulistano muito divertido. Valeu a pena. Depois veio uma banda de metal do Chile, cheio de técnicas e vocais naquele estilo. Não é a minha praia. A penúltima banda foi a já clássica Sociedade Armada, dali perto, de Praia Grande. Hardcore muito bom mesmo. Tipo da banda que eu queria ser o baterista, pra tocar todas as músicas iguais. Gostei muito.

Quando acabou essa SA, o Adolescents ainda não tinha chegado. Fui pro lado de fora pra pegar um ar, e chega a van. O primeiro que sai é o Steve Soto com sua obesidade mórbida, e um curativo gigante no dedão da mão direita. Pensei: “pronto, fodeu”. Fui bater um papo com ele. O que rolou é que a janela estilo gilhotina do hotel em Curitiba guilhotinou a última falange do dedão do cara. Levou pontos, tomou remédio pra dor e foi pro palco. Dava pra ver que estava no sacrifício, tocou de um jeito meio estranho e economizou nos backing vocals, sua marca registrada.

Abriram com Who is Who, emendaram No Way e daí por diante só alegria. Clássicos dos discos Adolescents, Welcome to Reality, Brats in Batallion e O.C. Confidential. Pelo que li por aí, set list parecido com SP e Curitiba (veja foto lá acima). Ao todo 18 músicas, fechando com Kids of the Black Hole (Mike Ness diz que “Black Hole” era o quarto dele na adolescência, e foi ali que ele, Steve Soto e Rikk Agnew compuseram essa música, que originariamente era pra ser do Social Distortion). Como de costume, não tocaram nenhuma música do Balboa Fun-Zone. Steve Soto explicou que aquele disco foi resultado de uma briga com Tony Reflex, já resolvida, e que eles não gostam de retomar aquele clima. Contou outras histórias interessantes sobre Rikk Agnew, qualquer dia conto numa cervejada. Destaque para os dois guitarristas, excelentes, e o baterista, que foi muito bem também. E Tony Cadena praticamente cantou de dentro do público, dividindo os microfones com quem estava mais perto do palco de meio metro, um pouco maior que o do Ambiental.

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Ainda os bars

Existe muita coisa feita a partir dos bars do Black Flag. Digite “Black Flag logo” ou algo assim no Google Images e vai achar muita coisa.

Uma que não aparece, das mais legais, é a capa do disco Stacks, Stilettos, Make-Up & Mohicans, do Mere Dead Men, banda de Liverpool, que vale o registro:

 

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Californian logos II – Black Flag

A primeira foi Circle Jerks, a segunda é Black Flag – embora cronologicamente devesse ser o contrário. O logo do Black Flag é mundialmente conhecido como “the bars”. É uma bandeira preta estilizada, tremulando ao vento, o símbolo do anarquismo e a antítese da rendição.

Black Flag logo is known as “the bars”, an stylized black flag which links to anarchy and to the anthitesis of surrender.

Quase toda a identidade visual do Black Flag foi feita por Raymond Ginn, irmão mais velho do guitarrista Greg Ginn, cujo nome artístico é Raymond Pettibon. Diz a lenda que Raymond, inclusive, foi quem escolheu o nome “Black Flag” – depois que a banda, então chamada Panic, descobriu que já tinha outro pessoal usando esse primeiro nome. Raymond fez os bars, como fez a capa de quase todos os discos e EPs do Black Flag.

Almost all Black Flag’s visual art was made by Raymond Pettibon, older brother of Greg Ginn. He also gave the band its name. He made album covers and gig flyers for the band.

Raymond mora até hoje no melhor lugar do mundo: Venice Beach, CA. Formou-se em engenharia e foi professor de matemática. Tocou baixo em alguns ensaios do Panic e do Black Flag. Esses tempos esteve responsável pela arte do OFF!, em seu estilo inconfundível. A caixa The First Four EPs do OFF! vem com os quatro primeiros EPs, evidentemente, e mais um livrinho com letras e fotos. Comprei logo que saiu, e vejam que bacana essa:

Raymond lives in Venice Beach. He also did the art for the band OFF!

As liner notes são do Raymond e, ao lado, tem essa foto dele pintando a capa da caixa numa parede atrás de uma mini-ramp. Na verdade, uma reprodução da capa. E essa capa é só da caixa, porque cada um dos EPs vem com uma capa diferente, todas do Raymond.

Black Flag, na minha opinião, é uma banda que você tem que ter tudo em vinil, nem que seja só pra poder manusear as capas. O que eles tiveram de fabuloso musicalmente, também tiveram visualmente. Inclusive nos flyers dos seus shows, cada um uma obra de arte singular, como esse acima. Graças a Raymond.

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Californian logos I – Circle Jerks

Vou escrever algumas coisas sobre os logos que eu acho mais bacanas de bandas californianas. O primeiro é o Skanker, ou Skank Man, do Circle Jerks.

Some great californian bands’ logos. First the Circle Jerks’ Skanker:

 

O desenho foi feito pela cartunista Shawn Kerri, dos EUA.

The logo was designed by american artist Shawn Kerri, who also did great flyers and albuns covers.

Nascida Shawn Maureen Fitzgerald em 1958, ela esteve fortemente ligada ao punk californiano do fim dos anos 70. Fez, por exemplo, o flyer do primeiro show do Bad Brains na costa oeste, com Bad Religion, Lewd e Jody’s Foster Army:

Entre os outros muitos flyers que fez, shows do Germs, Circle Jerks, e a sensacional caricatura do Adolescents:

Fez a capa do disco Skeletons in the closet, do Eddie and the Subtitles – e, pelo estilo, eu chutaria que também assina a capa do single Louie Louie:

Existe uma série de boatos de que Shanw estaria morta desde a década de 90. Mas há quem diga que não. Existe até um perfil no facebook para ela. Conta a lenda que ela precisou entregar os direitos sobre o Skanker para o Circle Jerks na época do VI, para evitar um processo, mas não achei nada confiável sobre isso. O que parece mais certo é que o desenho original é esse em preto-e-branco, que aparece no encarte do Group sex. O número 1 tornou-se famoso e virou um logo excelente para uma banda fantástica:

Mais para o final dos anos oitenta, o Circle Jerks usou uma versão mais skate, com camisa xadrez e tênis:

O originalzão, porém, é esse aí, menos elaborado e mais bacana:

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Sugar baratinho

Atenção quem mora em Curitiba: o excelente disco Besides, do Sugar, na versão nacional, está por R$ 12,00 – DOZE REAIS!! – no Sebo Líder da Emiliano Perneta. Uma pechincha por um disco fantástico de uma das bandas mais fabulosas de todos os tempos.

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